Cheguei em casa, e rapidamente fui a cozinha peguei um pacote de Doritos e uma lata de coca-cola, e subi correndo pro meu quarto, e tranquei a porta. Não queria ver a minha mãe nem pintada de ouro, agora... Comi tudo, tomei um banho e dormi.
Quando acordei... Bom, na verdade me acordaram. Minha mãe tava conversando com uma pessoa. Talvez mais de uma pessoa. Resolvi ir tomar um banho.
(...)
- Filha?
- Hum.
- Pode vir aqui?
- Porque eu iria?
- Vem falar com seu pai.
- O quê? O que esse panaca ta fazendo aqui? - Ele tava mais gordo do que a ultima vez que eu vi ele. Tinha uma mulher do lado dele. - Quem é essa ai?
- (SeuNome)!!! Ele é seu pai! Respeito!
- Respeito? Ele te respeitou durante esses anos? Ele ME respeitou durante esses anos? Ele não merece meu respeito.
Peguei o cartão de débito da minha mãe que estava sobre a mesa, coloquei no bolso e saí.
- Filha! Volta aqui!
- Vai ficar com aquele cara e a mulherzinha que roubou seu lugar. Vai servir cafezinho pra eles.
- Não fala assim comigo! Eu sou sua mãe!!!
- E eu sou sua filha. Já pensou nisso? - Sai correndo pela rua. Ela parou de correr atrás de mim.
(...)
Fui para o shopping a pé. ChegUei e fui direto para um banco. Estava exausta, precisava fica sentada um tempo. O shopping é meio longe. Mas, enfim... Depois de um tempo, levantei e comecei a andar. Fui parar na praça de alimentação.
Resolvi ir a uma lanchonete que ficava do outro lado da rua do shopping, dava pra comer pelo menos um lanche.
(...)
Meu celular começou a tocar. "Mãe". Resolvi atender. Mas depois me arrependi. Não escutei ela e falei "Não vou falar com você" e desliguei.
Eu tava cansada de tudo. Da minha vida, da minha mãe, da minha família... Literalmente de tudo. A única pessoa que me apoiava era minha avó, que morava em São Paulo. Tudo bem, Sampa não é tão longe do Rio, mas não tem como eu ir visitá-la. E o pior, meu pai, aquele idiota, colocou ela num azilo logo quanto se separou da minha mãe. Todo dia ela me ligava chorando por causa dele. Um dos motivos de eu não querer mas ver ele nem pintado de ouro.
- Júlia? - resolvi ligar pra ela.
- Oi! E ai, nem apareceu aqui ontem...
- É... Desculpa, mesmo, é que tá acontecendo umas coisas... Posso ir na sua casa?
- Pode, tô sozinha aqui. Chamo a Gabi?
- Chama. To indo pra ai. Beijo.
- Beijo, tchau.
Cheguei na casa da Júlia.
- Oi!
- Oi.
- Tá desanimada?
- Tô... Meu pai. Ele voltou.
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